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sábado, 11 de junho de 2011
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Santuario Historico de Machu Picchu
A primeira licao que guardei sobre Machu Picchu, assim que cruzamos a Porta do Sol, e que esse local tao especial e um santuario, um local sagrado. Edgar, nosso guia, fez questao de ressaltar que esse espaco era especial para os incas e que deveriamos conter nossa alegria e nao gritar, pular, ou coisas do tipo. No caminho entre a Porta do Sol e a famosa pedra onde tiramos a foto tao sonhada, ha um espaco de purificacao e um templo para Pacha Mama, mae terra. Deixei 3 folhinhas de coca para ela e agradeci pela minha jornada.
Aos mochileiros que chegam pela trilha, e necessario descer ate a porta por onde chegam todos os turistas vindo de Águas Calientes, para deixar as mochilas, pois nao e permitido carregar grandes bagagens. Depois de nos livramos do peso, Edgar apresentou, num tour de aproximadamente duas horas, a cidade sagrada dos incas.
Ele nos mostrou os principais pontos: o templo do condor, o templo do sol, a praca principal entre outros. Entao, nos deixou livres para caminhar. Estavamos eu, Dai, Alisson e Cassiana. Conhecemos outros pontos da cidade, mas o cansaco pedia que fossemos embora.
Como eu ja havia planejado passar a noite em Aguas Calientes para voltar a Machu Picchu no dia seguinte, nao achei ruim ir embora por volta das 14 horas. Descemos de onibus a Aguas Calientes, onde almocamos com nosso guia e nos despedimos dele.
Águas Calientes
A cidade so serve mesmo como apoio aos turistas que desejam chegar a Machu Picchu da maneira mais facil: trem e onibus. A praca principal e ate que bacaninha, ha inumeros restaurantes e uma briga por clientes. Eles quase te puxam para dentro. Aos mais corajosos, e possivel visitar as aguas termais para relaxar um pouco. Aos que preferem relaxar de outra maneira, nao faltam bares nas pequenas ruelas.
As entradas para Machu Picchu podem ser compradas perto da praca principal, ao lado da igreja. Estudante com carteirinha ISIC paga 70 soles. Como eu pretendia ir a Machu Picchu no dia seguinte, tratei de comprar minha entrada com antecedencia, assim como os bilhetes do onibus, que custam 7 dolares, ida e volta.
Edgar havia me avisado que se eu quisesse subir Winapicchu, que fica dentro do Santuario de Machu Picchu, eu deveria madrugar na fila do onibus, pois so sao permitidas 400 pessoas por dia. Foi o que fiz: acordei as 4 da manha e la fui para a fila do busao na rua gelada de Aguas Calientes. Claro que ja havia uma fila enoooorme na minha frente.
As 5h30 sai o primeiro onibus. Eu so consegui pegar o sexto e, a essa hora ja havia perdido as esperancas de conseguir um ticket para Winapicchu. Quando finalmente, passei no controle do Santuario, o rapaz me confirmou que nao havia mais ingressos para escalar a "montanha nova". Super desapontada, sentei do ladinho enquanto os turistas passavam desesperados por mim. Foi quando um anjo, com uniforme do Instituto Nacional de Cultura (INC) tocou meu ombro e me disse: "¿Chica, quieres Machu Picchu solo para usted?". Eu respondi que sim e ele me indicou que escalasse a montanha velha, Machu Picchu. Disse-me que poucos turistas iam nessa direcao, mas que era a visao mais bonita da cidade.
Quando ele me apontou onde era, me dei conta que era a montanha que haviamos avistado durante o terceiro dia inteiro da trilha. Muito alta. No topo dela, a bandeira de Cusco. Sem pensar duas vezes, com os jolehos ainda arrebentados e, dessa vez, sem bastao de caminhada, la fui eu, sozinha, escalar minha montanha.
Aos mochileiros que chegam pela trilha, e necessario descer ate a porta por onde chegam todos os turistas vindo de Águas Calientes, para deixar as mochilas, pois nao e permitido carregar grandes bagagens. Depois de nos livramos do peso, Edgar apresentou, num tour de aproximadamente duas horas, a cidade sagrada dos incas.
Ele nos mostrou os principais pontos: o templo do condor, o templo do sol, a praca principal entre outros. Entao, nos deixou livres para caminhar. Estavamos eu, Dai, Alisson e Cassiana. Conhecemos outros pontos da cidade, mas o cansaco pedia que fossemos embora.
Como eu ja havia planejado passar a noite em Aguas Calientes para voltar a Machu Picchu no dia seguinte, nao achei ruim ir embora por volta das 14 horas. Descemos de onibus a Aguas Calientes, onde almocamos com nosso guia e nos despedimos dele.
Águas Calientes
A cidade so serve mesmo como apoio aos turistas que desejam chegar a Machu Picchu da maneira mais facil: trem e onibus. A praca principal e ate que bacaninha, ha inumeros restaurantes e uma briga por clientes. Eles quase te puxam para dentro. Aos mais corajosos, e possivel visitar as aguas termais para relaxar um pouco. Aos que preferem relaxar de outra maneira, nao faltam bares nas pequenas ruelas.
As entradas para Machu Picchu podem ser compradas perto da praca principal, ao lado da igreja. Estudante com carteirinha ISIC paga 70 soles. Como eu pretendia ir a Machu Picchu no dia seguinte, tratei de comprar minha entrada com antecedencia, assim como os bilhetes do onibus, que custam 7 dolares, ida e volta.
Edgar havia me avisado que se eu quisesse subir Winapicchu, que fica dentro do Santuario de Machu Picchu, eu deveria madrugar na fila do onibus, pois so sao permitidas 400 pessoas por dia. Foi o que fiz: acordei as 4 da manha e la fui para a fila do busao na rua gelada de Aguas Calientes. Claro que ja havia uma fila enoooorme na minha frente.
As 5h30 sai o primeiro onibus. Eu so consegui pegar o sexto e, a essa hora ja havia perdido as esperancas de conseguir um ticket para Winapicchu. Quando finalmente, passei no controle do Santuario, o rapaz me confirmou que nao havia mais ingressos para escalar a "montanha nova". Super desapontada, sentei do ladinho enquanto os turistas passavam desesperados por mim. Foi quando um anjo, com uniforme do Instituto Nacional de Cultura (INC) tocou meu ombro e me disse: "¿Chica, quieres Machu Picchu solo para usted?". Eu respondi que sim e ele me indicou que escalasse a montanha velha, Machu Picchu. Disse-me que poucos turistas iam nessa direcao, mas que era a visao mais bonita da cidade.
Quando ele me apontou onde era, me dei conta que era a montanha que haviamos avistado durante o terceiro dia inteiro da trilha. Muito alta. No topo dela, a bandeira de Cusco. Sem pensar duas vezes, com os jolehos ainda arrebentados e, dessa vez, sem bastao de caminhada, la fui eu, sozinha, escalar minha montanha.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Machu Picchu - Trilha Inca 4º dia
| Marcio, Casiana, Paulo, Alisson, eu e Dai |
A Dai viu uma estrela cadente. Eu não. Mas tudo bem, acho que nao tenho direito de pedir mais nada. Se é possível alguem sentir tanta felicidade como a que estou sentindo agora, que me diga como é. Nesse momento, estou transbordando de emoção e sinto-me extremamente abençoada por ter meu sonho realizado.
Quando o controle abriu, apresentamos nossos passaportes e saimos, rumo as duas horas finais de caminhada. Meus joelhos doiam sim, mas eu apressei o passo ao máximo. Uma euforia tomava conta de todos. No escuro, so se ouviam passos fortes e respirações ofegantes.
A cada passo, a cada raio de luz que ia iluminando a trilha, meu coração se acelerava e as lágrimas, mais uma vez, se aproximavam.
Já cansados, nos minutos finais, um ultimo desafio: subir cerca de 50 degraus de uma escada que parecia parede de escalada. De mochila nas costas, fui escalando degrau por degrau com as mãos. Era uma loucura, mochileiros loucos passavam particamente por cima de mim. O motivo? Ao final da subida lá estava Intipunku, a Porta do Sol. De lá, bem embaixo, eu vi, pela primeira vez, Machu Picchu.
Finalmente, troquei a imagem do livro de História por esse momento. As lágrimas são previsíveis e inevitáveis para mim. Não conseguia me mover: lá estava a cidade que tanto sonhei, a montanha que tanto sofri por alcançar, a foto que tanto vi. Tudo lá, na minha frente. Tudo meu.
Depois de contemplar tudo aquilo, descemos e tiramos a foto cartao postal que sera poster no meu quarto logo mais.
Agora ou nunca - Trilha Inca 3º dia
Eu ñ curto muito Bon Jovi, mas Its my life foi a trilha sonora que marcou nossa chegada a Wiñaywayna, o acampamento do 3º dia da trilha:
"It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
My heart is like an open highway
Like Frankie said
I did it my way
I just wanna live while I'm alive
It's my life"
A sensacao de chegar num acampamento que tinha musica, ou seja, energia eletrica ja era boa o suficiente. Nesse dia, sabiamos que, finalmente, poderiamos tomar banho quente, a 5 soles. Tudo era alegria quando soltamos os bastoes e nos jogamos na mesa do almoco no acampamento, por volta das 15h.
O terceiro dia de caminhada foi lindo, perfeito, memoravel. Nada de grandes subidas, nada de chuva, nada de frio. Pacha Mama nos brindou com sua beleza e contemplar a natureza ao nosso redor revigorava cada passo.
Em poucas horas ja havia esquecido os tenis, as meias, a calca e jaqueta molhada que eu vestia. Dor, eu senti sim, pois havia muita descida e meus joelhos estavam arrebentados. Edgar, percebendo que eu sofria para descer, gentilmente, cedeu seu tensor para mim. A Dai caminhou super bem e quem chegou por ultimo ao acampamento fui eu e meus joelhos podres.
Depois do almoco tomei banho quente e, quando achei que ia aproveitar a super infraestrutura do nosso ultimo acampamento, o corpo pediu descanso. Minha cabeca comecou a doer, meus joelhos nao se dobravam e eu nao conseguia sair da barraca. Na hora da janta, Edgar veio me buscar e, com muita dor, e lagrimas, desse vez nao de emocao, caminhei ate a area do restaurante. Eu fui pois sabia que esse dia era especial: fariamos uma cerimonia com os porteadores que estiveram conosco durante todo o caminho. Depois da janta, e de tomar um cha de limao e um super anti-inflamatorio, fomos para o lado de fora. Embaixo de um ceu pintado por estrelas, Edgar prestou uma homenagem aos nossos bravos porteadores e nos deixou dizer algumas palavras a eles.
Eu os agradeci por todo trabalho servido e disse que jamais os esqueceria pois eles haviam me ajudado a alcancar um sonho. Elberto, Hilario, Santos e Bruno mantiveram-se, como sempre, calados e cabisbaixos, acanhados, enquanto os agradeciamos. Demos um dinheirinho e uma bandeirinha do Brasil para cada um e nos despedimos desses 4 super herois.
Do nosso acampamento era possivel avistar a bandeira de Cusco no topo da velha montanha, Machu Picchu. Atras dela, a cidade sagrada nos aguardava a apenas algumas horas. A noite foi linda e nao poderia ter sido mais perfeita.
Nesse momento, os sentimentos ja se misturavam: vontade de chegar logo e tristeza de terminar a jornada. Era meu sonho cada vez mais proximo, cada vez mais meu.
"It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
My heart is like an open highway
Like Frankie said
I did it my way
I just wanna live while I'm alive
It's my life"
A sensacao de chegar num acampamento que tinha musica, ou seja, energia eletrica ja era boa o suficiente. Nesse dia, sabiamos que, finalmente, poderiamos tomar banho quente, a 5 soles. Tudo era alegria quando soltamos os bastoes e nos jogamos na mesa do almoco no acampamento, por volta das 15h.
O terceiro dia de caminhada foi lindo, perfeito, memoravel. Nada de grandes subidas, nada de chuva, nada de frio. Pacha Mama nos brindou com sua beleza e contemplar a natureza ao nosso redor revigorava cada passo.
Em poucas horas ja havia esquecido os tenis, as meias, a calca e jaqueta molhada que eu vestia. Dor, eu senti sim, pois havia muita descida e meus joelhos estavam arrebentados. Edgar, percebendo que eu sofria para descer, gentilmente, cedeu seu tensor para mim. A Dai caminhou super bem e quem chegou por ultimo ao acampamento fui eu e meus joelhos podres.
Depois do almoco tomei banho quente e, quando achei que ia aproveitar a super infraestrutura do nosso ultimo acampamento, o corpo pediu descanso. Minha cabeca comecou a doer, meus joelhos nao se dobravam e eu nao conseguia sair da barraca. Na hora da janta, Edgar veio me buscar e, com muita dor, e lagrimas, desse vez nao de emocao, caminhei ate a area do restaurante. Eu fui pois sabia que esse dia era especial: fariamos uma cerimonia com os porteadores que estiveram conosco durante todo o caminho. Depois da janta, e de tomar um cha de limao e um super anti-inflamatorio, fomos para o lado de fora. Embaixo de um ceu pintado por estrelas, Edgar prestou uma homenagem aos nossos bravos porteadores e nos deixou dizer algumas palavras a eles.
Eu os agradeci por todo trabalho servido e disse que jamais os esqueceria pois eles haviam me ajudado a alcancar um sonho. Elberto, Hilario, Santos e Bruno mantiveram-se, como sempre, calados e cabisbaixos, acanhados, enquanto os agradeciamos. Demos um dinheirinho e uma bandeirinha do Brasil para cada um e nos despedimos desses 4 super herois.
Do nosso acampamento era possivel avistar a bandeira de Cusco no topo da velha montanha, Machu Picchu. Atras dela, a cidade sagrada nos aguardava a apenas algumas horas. A noite foi linda e nao poderia ter sido mais perfeita.
Nesse momento, os sentimentos ja se misturavam: vontade de chegar logo e tristeza de terminar a jornada. Era meu sonho cada vez mais proximo, cada vez mais meu.
Chuva, frio e muita subida! – Trilha Inca 2º dia
Amanheceu chovendo, do tipo que não deveria acontecer no inverno. Tomamos nosso desayuno debaixo de uma espécie de quiosque. Dava para notar que estávamos dentro da propriedade de alguns moradores tradicionais. Edgar nos disse que existem alguma famílias que moram nesse trajeto do Camino Inca e que eles cedem seus espacos para os acampamentos em troca de uma certa ajuda do governo. Bom saber que pelo menos nao somos tão invasores assim.
Depois de tomar aveia quente, pan con huevos e mantequilla, vestimos nossas capas, pegamos nosso bastão e bora caminhar. Nesse dia, decidimos contratar porteadores para carregarem nossas mochilas. Custou-nos 80 soles. Apesar do preço não ser barato, senti-me muito mal por vê-los carregando aquele peso todo que eu, mochileira de primeira viagem, havia colocado nas costas. E uma sensação estranha: você os ajuda contratando seus serviços, mas quando os ve passar correndo, na chuva, com aquele peso todo (chegam a carregar 30 kg), a sensação é péssima. Não sei explicar.
Achava que pela manhã estava frio. As duas primeiras horas de caminhada foram muito sofridas. O segundo dia da trilha inca é quando se sobe mais, chegando a 4200 mts. Já sabia que seria o dia mais puxado e aquela chuva da manha me assustou bastante. Tinha esperanca que ia melhorar o tempo, quando a chuva ficou mais espessa e a temperatura caiu. Depois da primeira parada, segui caminho sozinha. Edgar, nosso guia nos deixou livre para caminharamos conforme nosso tempo. Segundo ele, e melhor nao parar muito.
A Dai ficou para trás. As subidas foram muito difíceis para ela. Edgar a acompanhou o trajeto todo. Para mim, tambem não foi fácil. Os pulmões pareciam que iam explodir. No desespero da subida, com a falta de ar, o instinto nos faz abrir a boca e puxar. Mas, a essa altitude, de 3 a 4 mil metro, ele e meio escasso e isso nao se deve fazer.
Não podiamos ver qual seria o fim da subida. Tampouco aproveitamos a vista das montanhas. Uma nevoa cobria tudo e a chuva não nos deixava levantar muito o rosto. Não conseguia sacar a câmera de tanta chuva.
O combinado desse dia era caminhar ate as 14h e entao almocarmos ja no nosso acampamento. No meio do caminho fizemos uma breve parada para comprar água e usar o banheiro. Era impossivel ficar parado. O frio doia nos ossos e com cinco minutos ja nao era possivel sentir os dedos. Nessa parada, Cassiana e eu seguimos a trilha com o Marcio, outro brasileiro. O amigo dele, Paulo, estava um pouco atras, passando mal.
Quando, finalmente, alcancamos o topo mais alto, fomos expulsos da montanha. Um vento fortissimo, com chuva e granizo nos cortava a pele. As capas nao adiantavam de nada e nao houve parte do corpo que estivesse seca. Depois de tanto subir e sequer conseguir apreciar a vista, tivemos que descer rapidamente. A Cassiana estava a dois passos de mim e eu nao a conseguia ver. Esse foi o pior momento de toda trilha. Meus joelhos ja davam sinais de dor e o frio e as roupas molhadas so completavam o cenario.
Para azar nosso, e mais ainda dos porteadores, as barracas estavam molhadas tambem. A tarde e a noite desse dia forma um caos. Tudo estava molhado e o frio era de cortar. Nao preguei o olho um segundo. Pior que estar nessa situacao era pensar que a chuva nao dava sinais de tregua. Segundo os guias, se nao parasse ate o dia seguinte, as chances de ver Machu Picchu no 4º dia eram pouquissimas.
Depois de tomar aveia quente, pan con huevos e mantequilla, vestimos nossas capas, pegamos nosso bastão e bora caminhar. Nesse dia, decidimos contratar porteadores para carregarem nossas mochilas. Custou-nos 80 soles. Apesar do preço não ser barato, senti-me muito mal por vê-los carregando aquele peso todo que eu, mochileira de primeira viagem, havia colocado nas costas. E uma sensação estranha: você os ajuda contratando seus serviços, mas quando os ve passar correndo, na chuva, com aquele peso todo (chegam a carregar 30 kg), a sensação é péssima. Não sei explicar.
Achava que pela manhã estava frio. As duas primeiras horas de caminhada foram muito sofridas. O segundo dia da trilha inca é quando se sobe mais, chegando a 4200 mts. Já sabia que seria o dia mais puxado e aquela chuva da manha me assustou bastante. Tinha esperanca que ia melhorar o tempo, quando a chuva ficou mais espessa e a temperatura caiu. Depois da primeira parada, segui caminho sozinha. Edgar, nosso guia nos deixou livre para caminharamos conforme nosso tempo. Segundo ele, e melhor nao parar muito.
| Eu, Cassiana, Gilbert (guia) e Marcio. Ao fundo está o Paulo |
Não podiamos ver qual seria o fim da subida. Tampouco aproveitamos a vista das montanhas. Uma nevoa cobria tudo e a chuva não nos deixava levantar muito o rosto. Não conseguia sacar a câmera de tanta chuva.
O combinado desse dia era caminhar ate as 14h e entao almocarmos ja no nosso acampamento. No meio do caminho fizemos uma breve parada para comprar água e usar o banheiro. Era impossivel ficar parado. O frio doia nos ossos e com cinco minutos ja nao era possivel sentir os dedos. Nessa parada, Cassiana e eu seguimos a trilha com o Marcio, outro brasileiro. O amigo dele, Paulo, estava um pouco atras, passando mal.
Quando, finalmente, alcancamos o topo mais alto, fomos expulsos da montanha. Um vento fortissimo, com chuva e granizo nos cortava a pele. As capas nao adiantavam de nada e nao houve parte do corpo que estivesse seca. Depois de tanto subir e sequer conseguir apreciar a vista, tivemos que descer rapidamente. A Cassiana estava a dois passos de mim e eu nao a conseguia ver. Esse foi o pior momento de toda trilha. Meus joelhos ja davam sinais de dor e o frio e as roupas molhadas so completavam o cenario.
Para azar nosso, e mais ainda dos porteadores, as barracas estavam molhadas tambem. A tarde e a noite desse dia forma um caos. Tudo estava molhado e o frio era de cortar. Nao preguei o olho um segundo. Pior que estar nessa situacao era pensar que a chuva nao dava sinais de tregua. Segundo os guias, se nao parasse ate o dia seguinte, as chances de ver Machu Picchu no 4º dia eram pouquissimas.
Mochila nas costas e coração na mão – Trilha Inca 1º dia
Edgar, nosso guia, atrasou-se longos 17 minutos, durante os quais eu não parava de andar de um lado a outro da pequena e aconchegante recepcao do hostel em Cusco. Quando já havia pedido que ligassem para a agência, finalmente ouvi o barulho de um carro. Era o Edgar, que, desde aquele momento, ja percebi que seria um grande amigo!
Fomos de taxi ate um ponto de Cusco onde alguns ônibus nos esperavam. Do lado de fora, vários homens, muito simples, e aparentemente pouco agasalhados, estavam aguardando também. Percebendo meu interesse, Edgar logo explicou que eles eram os porteadores, os responsáveis por subir com todo o equipamento para nosso acampamento. Nessa hora também conhecemos Alberto, nosso cozinheiro. Simpático, mas muito tímido, com face para baixo, ele me cumprimentou acanhado. Algumas horas depois ia descobrir em Alberto o melhor cozinheiro do mundo!
Uma vez dentro do ônibus, partimos rumo a Ollantaytambo, que e uma cidade que faz parte do Valle Sagrado, de onde parte o Camino Inca. (Depois farei um post somente sobre essa cidade, que visitamos também e que tem um belissimo sitio arqueológico).
Quando descemos do ônibus, conhecemos Cassiana e Alisson, nossos compas brasileños, que seriam nossos companheiros de viagem. De mochila nas costas e coração na mao, partimos para nossa primeira foto na conhecida placa de inicio do Camino Inca!
Entao, encaramos uma fila de mochileiros no controle para a entrada da trilha. O frio da barriga vencia o frio na beira do Urubamba. O peso da mochila era menor que o peso da responsabilidae de não decepcionar a mim mesma. Minha concentração comecou ali, olhando a subida do outro lado da ponte.
Com meu segundo carimbo no passaporte (sim, mochileiros, na trilha inca há um carimbo!), dei meus primeiros passos por cima do Urubamba, rumo a Machu Picchu. Foi dificil desde o princípio. A vontade e de para a cada 1 minuto e não por causa do peso ou da falta de ar, mas para apreciar o momento. Para curtir essa parte tao especial da minha vida.
Edgar nos alertou do principio: "caminem despacio, pero mantenham o ritmo". El sol nos abençoou no primeiro dia de caminhada e nos deu um céu lindo para ornar com a terra cheia de vida. El condor e el puma completaram com harmonia nosso dia.
Avistamos dois sitios arqueológicos, Cañabamba e , e nem preciso comentar sobre as minha lágrimas. Na primeira subida que fizemos, a qual nem imaginavamos que seria a mais leve, a sensação no topo ja era mágica. Quando avistamos a primeira montanha coberta de neve, a Dai me disse: "eu sinto que estou nas nuvens", ao que respondi "sinto isso desde que pisei aqui". O Peru tem um efeito em mim que nao imaginava poder sentir.
Esse primeiro dia foi cansativo, com mochila nas costas o tempo todo e foi todo descoberta. Nunca imaginei comer tão bem nessa trilha. Quando finalmente alcancamos a parada para o almoco, ficamos boquiabertos com a organizacao: barraca montada, mesa posta, com o capricho de uma toalha tipicamente peruana. Fomos recepcionados com suco, depois sopa, então o prato principal, arroz com carne e cebola, mais sobremesa. E, por fim, um té de coca para digestão. Perfeito, memoravel. Quatro homens muito quietos nos serviam humildemente. Nesse momento ainda era cedo para conhece-los, mas eu já tentava uma aproximação.
Dez minutos apos o alomoço, partimos rumo a segunda parte do dia. Muito mais cansativa, mas tão bonita quanto a primeira. No fim da tarde, quando el sol ja cedia lugar a el luna, a chuva decidiou nos tocar a pele cansada e fria. Paramos, colocamos nossas capas e seguimos caminho. Uma hora depois, ja na penumbra, chegamos a nosso primeiro acampamento. As barracas já estavam armadas e aquele mesmos homens estavam todos a postos para, mais uma vez, nos servir um belo banquete e nos proporcionar um belo abrigo para a chuva.
A noite foi fria e dormir no chão, dentro de um saco não foi facil. Mas foi simplesmente um alivio!
Fomos de taxi ate um ponto de Cusco onde alguns ônibus nos esperavam. Do lado de fora, vários homens, muito simples, e aparentemente pouco agasalhados, estavam aguardando também. Percebendo meu interesse, Edgar logo explicou que eles eram os porteadores, os responsáveis por subir com todo o equipamento para nosso acampamento. Nessa hora também conhecemos Alberto, nosso cozinheiro. Simpático, mas muito tímido, com face para baixo, ele me cumprimentou acanhado. Algumas horas depois ia descobrir em Alberto o melhor cozinheiro do mundo!
Uma vez dentro do ônibus, partimos rumo a Ollantaytambo, que e uma cidade que faz parte do Valle Sagrado, de onde parte o Camino Inca. (Depois farei um post somente sobre essa cidade, que visitamos também e que tem um belissimo sitio arqueológico).
Quando descemos do ônibus, conhecemos Cassiana e Alisson, nossos compas brasileños, que seriam nossos companheiros de viagem. De mochila nas costas e coração na mao, partimos para nossa primeira foto na conhecida placa de inicio do Camino Inca!
| Alisson, Cassiana, Dai e eu no início da trilha inca! |
Entao, encaramos uma fila de mochileiros no controle para a entrada da trilha. O frio da barriga vencia o frio na beira do Urubamba. O peso da mochila era menor que o peso da responsabilidae de não decepcionar a mim mesma. Minha concentração comecou ali, olhando a subida do outro lado da ponte.
Com meu segundo carimbo no passaporte (sim, mochileiros, na trilha inca há um carimbo!), dei meus primeiros passos por cima do Urubamba, rumo a Machu Picchu. Foi dificil desde o princípio. A vontade e de para a cada 1 minuto e não por causa do peso ou da falta de ar, mas para apreciar o momento. Para curtir essa parte tao especial da minha vida.
Edgar nos alertou do principio: "caminem despacio, pero mantenham o ritmo". El sol nos abençoou no primeiro dia de caminhada e nos deu um céu lindo para ornar com a terra cheia de vida. El condor e el puma completaram com harmonia nosso dia.
Avistamos dois sitios arqueológicos, Cañabamba e , e nem preciso comentar sobre as minha lágrimas. Na primeira subida que fizemos, a qual nem imaginavamos que seria a mais leve, a sensação no topo ja era mágica. Quando avistamos a primeira montanha coberta de neve, a Dai me disse: "eu sinto que estou nas nuvens", ao que respondi "sinto isso desde que pisei aqui". O Peru tem um efeito em mim que nao imaginava poder sentir.
Esse primeiro dia foi cansativo, com mochila nas costas o tempo todo e foi todo descoberta. Nunca imaginei comer tão bem nessa trilha. Quando finalmente alcancamos a parada para o almoco, ficamos boquiabertos com a organizacao: barraca montada, mesa posta, com o capricho de uma toalha tipicamente peruana. Fomos recepcionados com suco, depois sopa, então o prato principal, arroz com carne e cebola, mais sobremesa. E, por fim, um té de coca para digestão. Perfeito, memoravel. Quatro homens muito quietos nos serviam humildemente. Nesse momento ainda era cedo para conhece-los, mas eu já tentava uma aproximação.
Dez minutos apos o alomoço, partimos rumo a segunda parte do dia. Muito mais cansativa, mas tão bonita quanto a primeira. No fim da tarde, quando el sol ja cedia lugar a el luna, a chuva decidiou nos tocar a pele cansada e fria. Paramos, colocamos nossas capas e seguimos caminho. Uma hora depois, ja na penumbra, chegamos a nosso primeiro acampamento. As barracas já estavam armadas e aquele mesmos homens estavam todos a postos para, mais uma vez, nos servir um belo banquete e nos proporcionar um belo abrigo para a chuva.
A noite foi fria e dormir no chão, dentro de um saco não foi facil. Mas foi simplesmente um alivio!
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