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Mostrando postagens com marcador Peru. Mostrar todas as postagens
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domingo, 17 de junho de 2012

Inti Raymi, a Festa do Sol em Cusco

Grande Inca em Sacsayhuaman

Era no tempo dos grandes incas. Ao fim da noite mais longa do ano, o alívio de iniciar uma nova jornada, dia de agradecer aos deuses e pedir sua proteção para o novo período.  Uma grande cerimônia está para começar e os peregrinos dos quatro cantos do império já estão no umbigo do mundo: Cusco. O culto ao deus sol é celebrado por toda sociedade andina que se organiza de acordo com sua região de origem. Cada um tem seu papel e conhece suas obrigações. A importância religiosa, social e política do IntiRaymi, a Festa do Sol, era tal, que a celebração se tornou conhecida em todo império inca.

De acordo com o cronista e historiador cusqueño Garcilaso de La Vega, o Inti Raymi era uma das celebrações mais importantes dos incas e marcava o início de um novo ano. Em seus registros consta que a festa foi realizada com a presença do grande Inca pela última vez em 1535. Aí, a história já é conhecida: dominação espanhola, imposição da fé católica e abolição de rituais considerados pagãos pelos novos moradores dos Andes.

Depois de suprimido pela Igreja Católica, o Inti Raymi deixou de ser celebrado até 1944, quando um grupo de intelectuais e artistas cusqueños decidiram recuperar essa herança andina. Desde então, o IntiRaymi passou a ser apresentado anualmente, em 24 de junho, na cidade de Cusco.

O Inti Raymi, que no tempo dos incas era uma cerimônia religiosa, agora é uma apresentação teatral que evoca as recordação dos antigos povos andinos e contribui para a conscientização histórica dos habitante de Cusco, que dividem sua festa com seus conterrâneos de diversas partes do Peru.

A celebração ao deus inti também tem atraído muitos turistas estrangeiros, que já percebem que a cidade habitada mais famosa do Peru merece tanta atenção, quanto a que é dedicada à sua famosa vizinha, Machu Picchu. 

A festa que louva o deus sol é parada obrigatória para os que desejam conhecer um pouco mais da cultura desse povo andino, que transformou um costume inca em tradição popular que louva a história de seus ancestrais.

Participei dessa grande celebração no ano passado e, sim é uma festa turística. Mas vale estar no meio do povo que se espreme para ver passar o grande inca e seu séquito dedicado. Os cusqueños sabem celebrar suas tradições e cabe a nós, turistas, buscar um espaço em meio a isso.















domingo, 3 de julho de 2011

Retorno a Cusco

Mulher observa comboio com as peças de Machu Picchu, que retornam a Cusco após 100 anos

Chegar a Cusco, pela segunda vez, fez-me sentir parte dessa cidade. Foi como se eu estivesse voltando para um lugar do qual eu jamais deveria ter saído. Penso que esse era o mesmo mesmo sentimento dos cusqueños que aguardavam ansiosos o desembarque de 17 caixotes no pequeno aeroporto Alejandro Velasco Astete, naquela manhã de quarta-feira, 22 de junho de 2011.

Após quase 100 anos em terras estrangeiras, 363 das 46.332 peças que foram levadas pelo primeiro explorador de Machu Picchu com uma máquina fotográfica em mãos (isso é importante), Hiram Bingham, retornavam a seu país de origem. Isso graças a um acordo entre o governo peruano e a universidade de Yale, que concordou em ceder o primeiro lote para comemorar o centenário da chegada de Bingham à imponente cidade inca.

Bingham levou as peças a Yale após suas expedições, de 1912 e 1915, na qualidade de empréstimo, mas elas nunca foram devolvidas ao Peru, até agora. Se cumprido, o acordo prevê o retorno das demais peças, restos e fragmentos procedentes de Machu Picchu, de maneira progressiva até o final de 2012.

Nesse clima de festa, fui recebida por essa cidade que, orgulhosa, recebia seu legado histórico de volta. Segui, num pequeno táxi, o comboio que carregava as primeiras peças. Boba eu de pensar que seriam levadas direto para algum museu e trancafiadas a sete chaves. 

Como em Cusco tudo se comemora, a caravana seguiu até o grande templo de Qoricancha, onde o Inca (imperador), interpretado por um ator cusqueño, e seu séquito receberam as peças e seguiram em marcha até a Plaza de Armas, que estava repleta de pessoas aguardando ansiosas pela cerimônia de entrega das peças.
Inca é escoltado po policial até a Plaza de Armas


Séquito inca e autoridades locais recebem as peças

Discursando em espanhol e em quéchua, idioma tradicional dos habitantes dessa região do Peru, Luis Florez, o alcade (prefeito) agradeceu o esforço dos envolvidos nas negociações e, junto com o séquito inca, recebeu as 17 caixas com as peças, que seguiram em caminhão desde a Plaza de Armas até a Casa Concha, onde serão exibidas em breve.
Séquito inca segue em marcha até a Casa Concha




Entrega das caixas com artefatos de Machu Picchu na Casa Concha

Não pude ver as peças, apenas as caixas sendo descarregadas. O que eu vi, e acredito ser de mais valor, foi a expressão de orgulho dos cusqueños que receberam essas relíquias como se fossem fotos antigas de família, como algo muito próximo, muito seu. Essa proximidade com a tradição, com a história, é algo que salta aos olhos negros desse povo tão alegre. 

Assista o vídeo institucional da universidade de Yale e saiba mais sobre o acordo e o retorno das peças:

sábado, 16 de outubro de 2010

Ica - Huacachina

Huacachina

Minha última parada antes de Lima era em Ica. Já tinha lido bastante a respeito dessa cidadezinha que guarda o oásis das Américas: Huacachina. Antes mesmo de chegar ao Peru, fui incentivada a reservar mais de um dia por lá. Antes de deixar Arequipa, o dono do hostel em que ficamos também foi só elogios a Ica: "Lá é sempre sol, todos os hostels tem piscina, vocês podem relaxar e curtir com muita tranquilidade e ainda praticar sandboard."

Ao chegar em Ica já é possível notar que a paisagem parece de filme. Dunas imensas compõem o cenário dessa cidadezinha bem desenvolvida e com um belo centro comercial. Mas não era ali nosso lugar. Do terminal rodoviáro pegamos um taxi e fomos rumo a Huacachina. Cerca de 10 minutos depois pude comprovar que o lugar se tratava realmente de um oásis e que tudo era verdade.

O clima é perfeito: sol, céu azul e muita paz. O lugar parece uma vila hippie e é repleto de mochileiros de todas as partes do mundo. Uma volta ao redor da lagoa e é possível fazer amigos, assistir a espetáculos artísticos ou, simplesmente, relaxar curtindo a bela paisagem.

Lenda
Como tudo no Peru é místico, há uma lenda sobre esse belo oásis de Huacachina. Trata-se de uma história de amor muito antiga, de tempos pré-hispânicos. Uma formosa donzela, proveniente do próximo povo de Tacaraca, chega desconsolada a este lugar, onde só tinha uns quantos huarangos, e chora a morte de seu amado, um valente geral inca. As lágrimas desta mulher, de olhos verdes e cabelo muito negro, foram formando pouco a pouco a lagoa. Diz-se que nas noites de lua nova ainda se podem escutar suas lamentos. 


Sandboard
Huacachina é conhecida pelas suas belas dunas, onde é possível arriscar-se no sandboard. Você pode alugar uma prancha ao redor da lagoa e subir sozinho (desse jeito você não vai muito longe), ou, contratar um passeio de bugue.

Eu fiz os dois e recomendo o bugue! Eles saem disparados pelas dunas e é emoção total! Guarde as câmeras, não leve celulares nem nada do tipo. A areia entra em todos os lugares imagináveis! Eu tomei vários tombos ensaiando minhas descidas em pé na prancha. 







Mas, o que valeu mais pena e que jamais sairá da minha cabeça é o por do sol nessas dunas. Realmente, uma bela imagem de despedida do Peru!





Paracas - Islas Ballestas

Islas Ballestas
De Nazca, partimos para Paracas, um balneário na província de Pisco, ao sul de Lima. Paracas possui uma superfície de 335 mil hectares, dos quais 217 mil são de águas marinhas. O local é uma reserva regional para aves migratórias e ponto de parada obrigatória no caminho para Lima.

Uma vez aqui, não deixe de conhecer as Islas Ballestas. O passeio é feito pela manhã em lanchas super rápidas. Fica minha dica: agasalhe-se bem pois o vento é muito forte e a água espirra no rosto algumas vezes. O passeio dura cerca de 2 horas e meia.

Na ida, há uma pequena parada para conhecer o famoso candelabro, figura enigmática talhada em uma encosta. Alguns dizem que é fruto da mesma civilização que desenhou em Nazca.

Candelabro
Depois do candelabro, seguimos viagem até as Islas, onde a lancha diminui e podemos observar um verdadeiro milagre da natureza. Milhares de aves se amontoam nas pedras, enquanto leões marinhos se espreguiçam perto do mar. Tudo ali, na nossa frente.

Não é permitido desembarcar nas ilhas, que é uma área de preservação, mas as lanchas vão perto o suficiente para que possamos observar esses belos animais.

Os mistérios de Nazca

Naquela montanha está a figura do astronauta.
Meu objetivo era voltar para Lima, de onde eu pegaria o avião de volta para São Paulo. Já havia aproveitado bastante a bela Arequipa, já tinha visto o voo do condor no Canyon do Cólca e ainda tinha quatro dias antes do meu voo.

Tudo isso já estava meio planejado, mas não imaginei que pudesse dar tão certo. Arequipa fica num local estratégico para viajantes. De lá, é possível conhecer três cidades no caminho para Lima. São elas: Nazca, Paracas e Ica. 

Minha primeira parada foi em Nazca, a cidade que guarda o mistério de suas famosas linhas. Desde que foram descobertas, ninguém conseguiu comprovar o que são as Linhas de Nazca, ou quem as desenhou. Existem algumas especulações: as linhas seriam desenhos de alienígenas, um calendário, objeto de observação astronômica, uma mensagem dos deuses e por aí vai. 

Ticket para o sobrevoo das linhas
As Linhas de Nazca ficam no Deserto de Nazca, entre as cidades de Nazca e Palpa, ao sul de Lima. As figuras só podem ser visualizadas do alto. Para isso, é preciso coragem! Os aviões que fazem o sobrevoo nas linhas não transmitem segurança nenhuma. Mesmo assim, eu me arrisquei e lá fui eu embarcar num teco teco com mais três doidos (um brasileiro e duas francesas) sobrevoar as Linhas. Nosso piloto e co-piloto nos mostraram onde ficava o saco para enjoo (que, confesso, foi muito útil) e explicaram quais figuras veríamos. 

O sobrevoo dura certa de 35 minutos, que para mim foram intermináveis. Para cada figura, nosso co-piloto avisava que fariam a manobra "a la derecha y despues a la izquierda", para que todos os passageiros pudessem visualizar as imagens. Esse remelecho todo acabou comigo. Apesar de todo mal estar, consegui ver as impressionantes figuras e desembarquei do meu teco teco com mil teorias na cabeça. É tudo muito mágico e parece não haver lógica (para nós) em algumas figuras, como o macaco e o astronauta, por exemplo. Onde eles viram esses seres?

Cemitério de Chauchilla
Todos dizem que, além das linhas, não há o que fazer em Nazca. Eu discordo disso e digo que vale a pena reservar algumas horas para conhecer o Cemitério de Chauchilla, com tumbas originais e algumas réplicas, que guardam múmias encontradas na região. Há um pequeno museu também que já vale a visita pela riqueza dos artefatos arqueológicos. Além disso, também é possível conhecer umas  das casas de cerâmica tradicionais da região. Como fazer isso? Contrate um guia-taxista para levá-lo a esses lugares. Não fique no aeroporto de Nazca esperando a hora de seguir viagem!!


Canyon do Cólca

Da bela Arequipa, é possível visitar o Canyon do Cólca que, segundo os peruanos, é o canyon mais profundo do mundo. A briga por esse recorde é antiga e EUA, Peru e China ficam se gladiando pela primeira posição nesse ranking. Superlativos de lado, o Cólca é um lugar belíssimo, de onde é possível assistir o voo do condor, ave típica dos Andes.

O canyon fica no distrito de Chivay, a algumas horas de Arequipa. Para aproveitar e conhecer o lugar, é bacana passar pelo menos uma noite em Chivay. Um roteiro bem conhecido é sair de Arequipa pela manhã chegando no horário do almoço em Chivay. Durante a tarde, não deixe de conhecer os baños termales de "La Calera". A 3 633 metros de altitude, as piscinas são aquecidas naturalmente pelas águas do Vulcão Cotallumi. Uma delícia de calor naquele friozinho doído!

Para jantar, fomos a um restaurante super aconchegante onde fomos brindados com um belíssimo espetáculo de música e dança típica da região de Chivay. Eu até dancei! Foi sensacional!

No dia seguinte, acordamos cedinho e partimos rumo ao ponto de observação do condor. É importante chegar cedo, pois esse é o melhor horário para observar o guardião do mundo superior.




Tivemos sorte: os condores nos deram um super espetáculo! Começaram tímidos, longe da multidão que os aguardava. Após uma hora, já estavam voando em cima de nossas cabeças.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Qué hacer en Arequipa

Numa voltinha pela Plaza de Armas é possível agendar todos os tipos de passeios em uma das agências de viagens que existem por lá. Pesquise, pergunte por referências antes de agendar. É comum de algumas agências fazerem passeios em parceria com outras, e, com isso, acabam cobrando taxas maiores.

De Arequipa, as viagens mais comuns são para o Canyon del Cólca, com uma ou duas noites em Chivay ou, ainda para o Canyon de Cotahuasi. No verão, também há muita procura pelas praias, como Mollendo. Como adoradora do mar, fui para Mollendo em julho mesmo. A viagem dura cerca de duas horas e o ônibus custa 10 soles (não é necessário ir com agência). Não foi uma boa ideia porque estava muito frio, tempo nublado, e mar geladíssimo! Mas o lugar é muito bonito e, com um solzinho, com certeza vale a viagem.

Monastério de Santa Catalina
Para os que não querem sair da cidade e fazem o tipo turismo cultural, há muito o que fazer: visitar a Catedral, os claustros jesuítas, a igreja de São Francisco, as mansões coloniais e, claro, o Monastério de Santa Catalina. Esse é o único mosatério no mundo que possui uma ciudadela. Durante o tour, que pode ser feito com ou sem guias, conhecemos os claustros onde as freiras e noviças ficavam, como elas preparavam sua comida, onde lavavam roupa, onde oravam e, até mesmo, onde eram enterradas depois de mortas. Uma noviça entrava no monastério com treze anos e nunca mais saia de dentro daquelas paredes. A família só sabia sobre a morte por carta. O cemitério hoje está desativado e funciona como uma horta.

As visitas podem ser feitas durante o dia, ou à noite. Eu tive o prazer de fazer os dois, pois havia um concerto de música clássica gratuito acontecendo no monastério à noite. Enfim, é um lugar lindo, calmo e cheio de história.

Se você, assim como eu, é fascinado por história, não deixe de conhecer Juanita, a princesa dos Andes.  Ela foi encontrada congelada a 6.312 metros de altura, sobre o topo do vulcão Ampato e a uma temperatura de 20° negativos. Estima-se que ela tenha mais de 500 anos. Ela foi uma oferenda para a montanha. Desde 1995 ela não habita mais Apu Ampato. Agora ela fica no Museo de la Universidad Católica de Arequipa, próximo a Plaza de Armas.

Passeio de cavalo. Ao fundo, El Misti.
Para os mais esportivos Arequipa também tem muito a oferecer: rafting pelo rio Chilli, trekking pelos vulcões, escalada, passeios de bike e a cavalo também são muito procurados. Euzinha decidi conhecer o vale do Chilli a cavalo. Foi uma delícia. Aí do lado estão eu, meu companheiro Raio, a Dai e o companheiro dela, Trovão. Sim, esses são os nomes dos cavalos!

Se você depois de fazer tudo isso ainda quiser passar a noite por aí, então vá para a calle São Francisco. Há diversas opções de barzinhos e baladinhas. Fica minha dica pela Forum: http://www.forumrockcafe.com/. O ritmo é o reggaton, mas, de vez em quando rola até umas músicas brasileiras.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ari quipai: "Si, aquí me quedo"

Arequipa é uma palavra de origem quechua. Ari, significa si e quipai significa quedarse, permanecer. Conta a lenda que um grupo de viajantes passava por essa região e, já estafados com o calor e clima seco do deserto, estavam a se render, quando encontraram o rio Chilli. Um dos viajantes perguntou ao seu líder se podiam quedarse alguns dias nessa região para recuperar suas forças. Foi quando seu líder disse "Si, aquí me quedo".

Catedral de Arequipa
Experimentei essa mesma sensação ao chegar em Arequipa. Para uma viajante já cansada do tempo frio e seco de Cusco e de Puno, a cidade é como um refúgio. O clima também é muito seco, pois ela fica numa região de deserto. Mas o rio Chilli, que fecunda a terra que retribui em plantações verdinhas e delicadas, ameniza essa sensação e o que fica é um calorzinho agradável durante os dias de inverno. A noite é gelada e o céu é de um azul profundo. Tive a companhia da lua cheia nas quatro noites que me quedei por lá. 
 
Arequipa fica a 2200 mts de altitude, ainda alto, mas bem menos que Cusco ou Puno. Em uma simples volta pela Plaza de Armas já e possível entender por que a todos a conhecem como a "cidade branca". As construções são imponentes, nada de pedras como em Cusco. Aqui quase tudo é feito com sillar branco ou rosado, que deixam a cidade um charme só!


Sillar é uma pedra de origem vulcânica. Nada mais perfeito para essa cidadezinha que é observada por três montanhas vivas: El Misti, Chachani e Pichu Pichu são os três vulcões que dão à Arequipa o cenário perfeito! Não há como duvidar de Pacha Mama!


Mirante dos vulcões: Chachani
 Aos mais aventureiros, é possível fazer escalada, caminhada ou passeio de 4x4 pelos vulcões. Também há passeios de bike nos arredores e rafting pelo Chilli. Tudo é muito fácil de agendar: há inúmeras agências de turismo na Plaza de Armas. Eu me arranjei no hostel em que fiquei.

Um jeito legalzinho de conhecer a cidade é com o BusTour, um ônibus turístico que apresenta os principais pontos em trajetos de 2 a 4 horas. Um ponto forte do passeio é o entardecer em Sabandía. Aqui é possível fazer passeios a cavalo. Eu preferi reservar outra tarde para isso e escolhi o vale do Chilli como trilha.

domingo, 8 de agosto de 2010

Titicaca - Ilha Taquile

Isla Taquile

No Peru existem três idiomas oficiais: quechua, aimara e espanhol, sendo esse último o oficial. Em minha viagem pelo Titicaca, pude conhecer um pouco mais sobre a cultura aymara, já que nossa guia é descendente desse povo. Maritzia contou como foi sua infância e seu primeiro contato com a escola. Filha de pais aymaras, criada falando somente esse idioma, ela lembra que não entendia uma palavra do que sua primeira professora falava e que chegou a ser discriminada algumas vezes pelo seu mau desempenho nos primeiros anos de escola.

Em sua opinião, muitos aymaras desistem de estudar por conta desse choque e acabam marginalizados e com maus empregos. Orgulhosa, Maritzia conta como mudou o rumo de sua vida: "sempre fui muito estudiosa e curiosa. Sempre tive muito orgulho da minha origem e fui cursar a universidade e agora estou aqui, contando para vocês, um pouco da minha história, da história dos aymaras". Ela acha que se os costumes aymaras tivessem se sobressaído aos costumes quechuas, o Peru seria diferente. Bom, essa é a opinião dela, de uma mulher que faz questão de exaltar sua cultura a cada turista que passa pelo seu barco. Exagerada? Talvez um pouco. Mas se eu a fosse definir, diria que é uma mulher apaixonada. Apaixonada por sua história, feliz por ter uma tradição e extremamente honrada de passá-la adiante.

Antes de desembarcarmos na Ilha Taquile ela nos advertiu que ali o idioma oficial não era aymara e sim quechua. Em Taquile, todos se vestem iguais e não há diferença de classes. Os habitantes da ilha vivem num regime de igualdade, divididos em comunidades como forma de se organizarem e mantém costumes incas. Na ilha não há cavalos, cachorros e lhamas. Também não há polícia, já que não é necessário, uma vez que quem toma decisões mais importantes é uma espécie de presidente eleito todo ano. Para reconhecer o presidente, ou outos homens com cargos importantes, basta atentar-se ao chapéu, que é a única peça de roupa que os diferencia dos demais.

Um costume curioso da ilha, é que quando uma moça se casa, ela deve tecer uma faixa com seu próprio cabelo, que será usada por seu esposo todos os dias. E outro costume é que após se casar, a mulher deve andar sempre dois passos atrás de seu marido. :(

A Ilha Taquile é um pedacinho do Titicaca que merecia ser desbravado com muito mais tempo. Dias, semanas até. Infelizmente eu só passei algumas horas por lá. Mas, para os aventureiros que desejarem ficar pela ilha, fica a dica me passada pela Maritzia: vista-se como eles, viva como eles e eles te mostrarão tudo que Taquile tem a oferecer.

sábado, 31 de julho de 2010

Titicaca - Ilhas Flutuantes de Uros

Antes de tomar o primeiro gole do seu suco de laranja, o comandante da nossa embarcação despejou três goles pela janela. Nossa guia, Maritzia, antes de tomar seu primeiro gole de sua coca cola também fez o mesmo. Curiosa, quis saber o motivo. Maritzia me explicou que é uma oferenda ao Titicaca. Que o lago sente vontade assim como nós e que devemos sempre ofertar a ele como retribuição à fartura que ele nos oferece.

Nosso passeio pelo Titicaca durou o dia todo. Zarpamos bem cedo, por volta das 7h30, quando uma névoa pairava sobre o azul escuro das águas do lago. Pulamos de barco em barco até encontrarmos o nosso. Sentei-me ao lado do capitão e fiquei morrendo de medo quando vi o quão longe dos salva vidas eu estava. Normal. A Sarinha bem sabe que eu sou neurótica com barcos.

Para minha sorte o lago estava calmo e o passeio todo foi muito tranquilo. Nossa primeira parada foi nas Ilhas Flutuantes de Uros. Eu já tinha lido bastante a respeito e, como já é conhecido, interesso-me muito por esse tipo de vida ilhéu. :) Mas, nada do que eu havia estudado, visto em fotos coisa assim, pode expressar com verdade como esses pré-incas vivem e mantém suas tradições até hoje.

Maquete das ilhas flutuantes de Uros
As ilhas sao feitas de totora, um material flutuante muito resistente. Cada ilha tem um tempo de vida útil de até 30 anos, e então, eles devem começar a construir outra. Na ilha em que paramos, eles fizeram uma maquete de como sao construídas e o que há em cada ilha. Veja na foto aqui ao lado. Todas são semelhantes: há cozinha, uma torre para observação, as casinhas e uma área comum para eles.

Assim que terminaram de nos explicar como viviam, os uros nos ofereceram pao quentinho e, então, pude conhecer Suma. Ela me mostrou sua casa, falou-me sobre seu cotidiano e também sobre suas roupas.

Eu e minha amiga Suma
É claro que eu pedi para me vestir como ela e o resultado é esse aqui do lado. Ela me explicou que essas cordinhas com pom-poms se chamam Bom-Bom e as moças de Uros as balançam quando estao procurando um marido!

A simplicidade, a organização e as cores destoam no azul do lago e no bege das casas, formando um visual que só traz reflexão. Como forma de incrementar sua renda, os uros constroem barcos lindíssimos para levar os turistas de uma ilha a outra e cobram 10 soles por isso.

Fui a última a entrar na embarcação e nao havia mais bancos para mim. Melhor, pude ir com o Brian, ilhéu mais novo de Uros. Ele tem 2 anos e meio, anda descalço sobre as totoras congeladas com alguns postais na mão que tenta vender aos turistas. Ele é órfão de mãe, que morreu ao dar vida a ele. Simpático, meigo e confiante, ele foi o caminho todo do meu lado fazendo caras e bocas para as fotos que eu tirava dele. Seu pai, um dos homens que remavam o barco, me contava como Brian é talentoso e já aprendeu a desenhar na escola.


Brian, o morador mais novo da ilha que conhecemos
 O tio de Brian, o outro remador, me contou que antigamente, quando um turista tirava uma foto, os uros cobravam por isso. Mas, que ele não permite que isso aconteça em sua ilha mais: "De agora em diante, queremos ganhar dinheiro em troca de trabalho e não de favores. Por isso, Brian ja vende seus desenhos".

Ao sairmos de Uros, todas as mulheres se reuniram na beira da ilha e cantaram "Brilha, brilha, estrelinha", em quechua, aimara, espanhol e inglês. Depois, a famosa "vamos a la playa". Tudo muito mágico. Um banho de cultura e tradiçao. O Peru me faz uma pessoa melhor e também me faz muito feliz! :)

sábado, 24 de julho de 2010

Cusco - Puno

Em todos os guias de viagem que pesquisei, diziam que era possível fazer o trajeto de Cusco a Puno de trem. So esqueceram de comentar que esse trajeto só é possível aos mais aba$tados. Quando soube o valor do trem (chega a US$ 250), na hora achei mais legal ir de ônibus mesmo.

Uma opção interessante sao os ônibus turísticos. Eles fazem a mesma rota que os ônibus tradicionais, so que com cinco paradas no caminho, serviço de bordo e almoço incluido. A viagem direta de Cusco a Puno dura em media 5 horas. Nesse ônibus, sao 10. Mas, vale a pena e não é tão cansativo, por conta das paradas.

Rachi
A primeira é em Andahuayillas, uma vila onde fica a igreja considerada a capela sistina das Americas. Assim como em Cusco, essa capela foi construida em cima de uma huaca inca (local sagrado). A segunda parada e em Raqchi (na foto), um complexo arqueológico inca muito bacana e diferente das construcoes encontradas em Cusco. aqui há uma série de colunas, o que não é comum.

Depois, paramos para o almoco e, então, em La Raya, onde fica a divisa entre os departamentos de Cusco e Puno (tambem o ponto mais alto da viagem). Algum tempo depois, já passamos pela cidade de Juliaca, que e caótica e muito feia, para finalmente, chegar em Puno.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Vai Brasil!!!

Chuva, frio e muita subida! – Trilha Inca 2º dia

Amanheceu chovendo, do tipo que não deveria acontecer no inverno. Tomamos nosso desayuno debaixo de uma espécie de quiosque. Dava para notar que estávamos dentro da propriedade de alguns moradores tradicionais. Edgar nos disse que existem alguma famílias que moram nesse trajeto do Camino Inca e que eles cedem seus espacos para os acampamentos em troca de uma certa ajuda do governo. Bom saber que pelo menos nao somos tão invasores assim.

Depois de tomar aveia quente, pan con huevos e mantequilla, vestimos nossas capas, pegamos nosso bastão e bora caminhar. Nesse dia, decidimos contratar porteadores para carregarem nossas mochilas. Custou-nos 80 soles. Apesar do preço não ser barato, senti-me muito mal por vê-los carregando aquele peso todo que eu, mochileira de primeira viagem, havia colocado nas costas. E uma sensação estranha: você os ajuda contratando seus serviços, mas quando os ve passar correndo, na chuva, com aquele peso todo (chegam a carregar 30 kg), a sensação é péssima. Não sei explicar.

Achava que pela manhã estava frio. As duas primeiras horas de caminhada foram muito sofridas. O segundo dia da trilha inca é quando se sobe mais, chegando a 4200 mts. Já sabia que seria o dia mais puxado e aquela chuva da manha me assustou bastante. Tinha esperanca que ia melhorar o tempo, quando a chuva ficou mais espessa e a temperatura caiu. Depois da primeira parada, segui caminho sozinha. Edgar, nosso guia nos deixou livre para caminharamos conforme nosso tempo. Segundo ele, e melhor nao parar muito.

Eu, Cassiana, Gilbert (guia) e Marcio. Ao fundo está o Paulo
A Dai ficou para trás. As subidas foram muito difíceis para ela. Edgar a acompanhou o trajeto todo. Para mim, tambem não foi fácil. Os pulmões pareciam que iam explodir. No desespero da subida, com a falta de ar, o instinto nos faz abrir a boca e puxar. Mas, a essa altitude, de 3 a 4 mil metro, ele e meio escasso e isso nao se deve fazer.

Não podiamos ver qual seria o fim da subida. Tampouco aproveitamos a vista das montanhas. Uma nevoa cobria tudo e a chuva não nos deixava levantar muito o rosto. Não conseguia sacar a câmera de tanta chuva.

O combinado desse dia era caminhar ate as 14h e entao almocarmos ja no nosso acampamento. No meio do caminho fizemos uma breve parada para comprar água e usar o banheiro. Era impossivel ficar parado. O frio doia nos ossos e com cinco minutos ja nao era possivel sentir os dedos. Nessa parada, Cassiana e eu seguimos a trilha com o Marcio, outro brasileiro. O amigo dele, Paulo, estava um pouco atras, passando mal.

Quando, finalmente, alcancamos o topo mais alto, fomos expulsos da montanha. Um vento fortissimo, com chuva e granizo nos cortava a pele. As capas nao adiantavam de nada e nao houve parte do corpo que estivesse seca. Depois de tanto subir e sequer conseguir apreciar a vista, tivemos que descer rapidamente. A Cassiana estava a dois passos de mim e eu nao a conseguia ver. Esse foi o pior momento de toda trilha. Meus joelhos ja davam sinais de dor e o frio e as roupas molhadas so completavam o cenario.

Para azar nosso, e mais ainda dos porteadores, as barracas estavam molhadas tambem. A tarde e a noite desse dia forma um caos. Tudo estava molhado e o frio era de cortar. Nao preguei o olho um segundo. Pior que estar nessa situacao era pensar que a chuva nao dava sinais de tregua. Segundo os guias, se nao parasse ate o dia seguinte, as chances de ver Machu Picchu no 4º dia eram pouquissimas.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Una foto señorita!

Em todos os lugares de Cusco há mulheres com lhamas perguntando se você gostaria de tirar uma foto com ela. Hoje, finalmente cedi a tentação turistica e tirei una fotita!

A lhama ficou me encarando o tempo todo e dá pra notar que eu não estava muito relaxada, ne? :)